motivo de piada?

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Lobby democratizado significa que o lobby está nas ruas, nas campanhas online, nos corredores do Congresso, nas colunas de opinião dos jornais e nos programas humorísticos de fim de noite da TV. Nos EUA, John Oliver volta e meia usa seu programa na HBO Last Week Tonight para tomar partido sobre uma política pública. Com uma linguagem simples, sarcasmo fulminante, imagens, analogias e misturando humor e jornalismo investigativo o programa faz com que temas complexos e por vezes entediantes se tornem atrativos e fáceis de entender para os seus milhões de fãs.

Um dos seus melhores programas foi sobre a neutralidade da rede, em 2014, quando o orgão regulador para as comunicações (Federal Communications Commission ou FCC) abriu uma consulta pública para uma nova proposta de regulamentação, que incluía a reclassificação dos serviços de internet para de serviços de telecomunicação. Se aprovada, a caracterização dos serviços de internet como de utilidade pública permitiria à agência estabelecer a neutralidade da rede.

O embate era entre pesos pesados. De um lado as empresas de cabo e wireless (como a Comcast, Time Warner, AT&T e Verizon), que provêem a infraestrutura da rede, e do outro os usuários e as geradoras de conteúdo (como Netflix, HBO, Google e Skype). As empresas de cabo e wireless se posicionaram contra a regulamentação da internet e a favor da liberdade de prover maior velocidade àqueles dispostos a pagar um valor adicional pelo serviço (fast lanes). As empresas de conteúdo e os grandes usuários da web se posicionaram por uma web mais aberta, que pudesse garantir igualdade de condições, sem discriminar volume de transferência de dados, tipo de serviço (voIP, videoconferencia, podcasts, e-mail, etc.), usuário ou conteúdo. Ou seja: todos — não importa quem, se um aluno ou uma empresa — deveriam ter o mesmo nível de acesso à rede. Também não deveria haver possibilidade de discriminar quanto ao conteúdo (blocking e filtering) e tipo de dados (throttling).    

Foi neste cenário de embate que John Oliver levou ao ar seu programa, em junho de 2014, um mês após ser aberta a consulta pública da FCC. No dia seguinte ao que o programa foi ao ar no Youtube, em torno de 45.000 pessoas seguiram à risca o pedido de John Oliver (chamada à ação) e enviaram seus comentários à FCC. O número de comentários foi tamanho que a página da FCC caiu. Ao final do período de consulta pública, quase 4 milhões de pessoas haviam mandado suas opiniões ao FCC. Se antes do programa a tendência era a de se aprovar uma regulamentação favorável às empresas provedoras de internet, o programa de John Oliver ajudou a reverter o cenário. Hoje o programa já chegou a marca de 13 milhões de visualizações.     

No Brasil temos o programa semanal do Gregório Duvivier, Greg News, na HBO. Alguns dos seus programas também são dedicados a políticas públicas que já foram ou estão sendo debatidos em Brasília, como a regulação dos agrotóxicos, a proposta de rotulagem dos alimentos ultraprocessados e a regulamentação da publicidade infantil. Com média de meio milhão de visualizações, o programa humorístico de Duvivier leva ao público temas sérios e complexos, criando oportunidades para que a sociedade possa participar do debate e moldar políticas públicas. É o lobby sendo democratizado.  

Este é meu último post do ano. Recesso de fim de ano! Volto em janeiro. Boas Festas!

 

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