Ativismo corporativo 2.0

Em abril deste ano, a Salesforce anunciou uma mudança nos contratos com seus clientes. Agora, quem quiser os serviços de costumer relation management (CRM) na nuvem da empresa terá que se adequar a uma nova cláusula contratual que proíbe clientes de venderem online certas armas de fogo automáticas e semi automáticas. A decisão leva o debate em torno do controle de armas de fogo à relação comercial, em que uma empresa tenta impor sua visão de mundo (em torno de um tema) ao seu eco sistema de clientes. A decisão da Saleforce vai além das medidas tomadas por outras empresas, como a Amazon e Ebay, que somente proíbem a venda de armas de fogo em suas próprias plataformas.

No final do ano passado, a Levi Strauss, tradicional empresa de jeans e vestuário, criou um fundo de US$1 milhão em apoio à organizações e jovens ativistas dedicados a acabar com a violência causada por armas de fogo nos Estados Unidos. A empresa também anunciou que dobrará as contribuições individuais de seus funcionários as organizações, e que passaria a estimular o voluntariado nas entidades beneficiadas. Mesmo que a iniciativa tenha um forte componente de RP, até pouco tempo atrás, estes tipos de ações se limitavam a ONGs dedicadas a atividades filantrópicas e não de advocacy.

A National Rifle Association (NRA) — entidade que advoga pelos interesses das empresas de armas de fogo e daqueles que defendem o direito da posse de armas — reagiu fortemente ao anúncio da Levi Strauss.

Outro exemplo que mostra a evolução do ativismo envolve a Amazon onde milhares de funcionários se mobilizaram ao redor de uma demanda para que a Amazon deixasse de prover serviços para empresas que contribuem para o aquecimento global. Em carta aberta ao CEO, Jeff Bezos, e ao conselho da empresa, aproximadamente 8.000 funcionários demandaram que a empresa deixasse de vender serviços de nuvem para empresas de combustíveis fósseis “pois (a ferramenta) acelera e expande a extração de gás e petróleo.” Os funcionários também criticaram as doações de campanha à membros do Congresso que “em 2018 votaram 100% das vezes contra legislação para endereçar mudanças climáticas” e pediram para que o conselho da empresa aprovasse um plano de ação climática submetido por acionistas. O board não aprovou a demanda, que foi tema de notícias durante vários dias seguidos nos EUA, e que certamente voltará a tona. Empregados das grandes multinacionais americanas — especialmente no setor de tecnologia — entendem o poder das plataformas dentro das quais atuam para alavancar temas de seu interesse. Voltarei a este assunto no futuro.

Estes três exemplos mostram como o ativismo corporativo tem evoluído. A Salesforce passou a usar a sua força econômica para impor uma visão de mundo aos seus clientes; a Levi Strauss passou a incentivar os seus funcionários a ativamente se engajarem em pról de uma causa e os funcionários da Amazon estão se unindo para forçar sua empresa a tomar ações econômicas contra empresas de gás e petróleo que contribuem ao aquecimento global. Ameaças da Disney, Netflix e Warnermedia de não mais filmar no estado da Georgia caso legislação estadual proibindo o aborto entre em vigor já não são mais novidade. Mas quem de fato esta por trás deste ativismo corporativo é o cidadão stakeholder, que entende sua força como consumidor e talento nas empresas.  
Corporate activism 2.0

In April of this year, Salesforce announced a change to its contracts. Now, clients that want costumer relationship management (CRM) services on the company’s cloud platform will have to adhere to a new contractual clause that bars customers from selling online certain automatic and semi-automatic firearms. The decision takes the gun control debate to the commercial relationship, in which a company tries to impose its world view (around an issue) to its ecosystem of clients. Saleforce’s decision goes beyond measures already taken by other companies, such as Amazon and Ebay, which only prohibit the sale of firearms on their own online platforms.

Late last year, Levi Strauss, a traditional jeans and apparel company, created a $ 1 million fund to support organizations and young activists dedicated to ending gun violence in the United States. The company also announced that it will double the individual contributions of its employees to these organizations, and that it would start to encourage volunteering. Even though the initiative has a strong PR component, until recently, these types of undertakings were limited to NGOs dedicated to philanthropic activities rather than advocacy.

The National Rifle Association (NRA), which advocates for the interests of firearms and gun owners, reacted strongly to Levi Strauss’s announcement.

Another example that highlights the evolution of activism involves Amazon, where thousands of employees have mobilized around a demand for it to stop providing services to companies that contribute to global warming. In an open letter to CEO Jeff Bezos and the company’s board of directors, approximately 8,000 employees have demanded that Amazon stop selling cloud services to fossil fuel companies “because it accelerates and expands the extraction of oil and gas.” They also criticized campaign donations to members of congress — “we donated to 68 members of congress in 2018 who voted against climate legislation 100% of the time” — and asked that the board approve a climate action plan submitted by shareholders. The board did not approve the plan, which was in the news for several days in the US and will eventually resurface. Employees of large American multinationals – especially in the technology sector – understand the power of these platforms to leverage issues of their interest. I will return to this subject in the future.

These three examples show how corporate activism has evolved. Salesforce began to use its economic power to impose its world view onto its customers; Levi Strauss started encouraging its employees to actively engage in a cause and Amazon employees are teaming up to force their company to take economic action against gas and oil companies that contribute to global warming. Threats by Disney, Netflix and Warnermedia to no longer film in the state of Georgia if state law prohibiting abortion goes into effect, are no longer a novelty. Behind this expanded corporate activism is the citizen stakeholder, who understands his strength as a consumer and talent at companies.

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