Fake News – OUT / Fake Propaganda Política – IN

Facebook acabou de anunciar que propaganda política mentirosa está liberada. Em nome da livre expressão, o Facebook decidiu se eximir da responsabilidade de identificar se é ou não mentira o que as propagandas políticas e campanhas sobre temas sociais (controle de armas, aquecimento global, ..) advogam na sua plataforma, e jogou a batata quente no colo do cidadão. Isto é, Facebook não enviará propaganda política para ser verificada pelos seus fact-checkers independentes. Ao endereçar o tema num discurso recente na Universidade de Georgetown, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, disse: “Estou aqui hoje porque acredito que devemos continuar defendendo a liberdade de expressão”.  

Pois é, a responsabilidade de decidir se um político está mentindo ou não é sua. Relaxe, por que você sabe quando alguém está mentindo pra você, certo? Errado! De vez em quando uma mentira pode até ser óbvia (veja meme abaixo que o Pres. Trump retwittou), mas já está mais do que comprovado que nós não somos uma máquina infalível de detectar mentiras, muito pelo contrário. Em seu novo livro Falando com Estranhos, Malcolm Gladwell conta que até profissionais da CIA responsáveis por identificarem espiões entre os seus, se deixaram enganar por mentiras bobas. É que no fundo, somos propensos a acreditar nos outros até prova irrefutável do contrário, um comportamento que Gladwell chama de truth default (termo criado pelo psicólogo Tim Levine). Adicione a isto nossa tendência de conformar, evitar notícias dissonantes e buscar afirmação às nossas crenças e pronto: prato cheio para aqueles interessados em espalhar a desinformação. 

Mesmo assim, Facebook optou pela não interferência, argumentando que neste caso o papel de juiz não cabe a ela, e que estaria mais do que aberta a seguir uma regulamentação imposta pelo poder público (veja aqui discurso de Nick Clegg, VP para Assuntos Globais e Comunicação). O problema com este posicionamento é duplo: joga o problema pra frente deixando espaço para o vale tudo nas próximas eleições nos EUA e em outros países e aborda o assunto unicamente pela lente legal se eximindo da responsabilidade social. Em tempos em que o debate político e de políticas públicas se dá de forma aberta e irrestrita nas mídias sociais, com o potencial de influenciar desde a eleição de um presidente até questões como Brexit (que eu discuto em mais detalhe no meu livro), a integridade da informação é absolutamente crítica.

Se por um lado o Facebook teve uma atitude laissez faire, por outro, a decisão do Twitter de completamente proibir a propaganda política me pareceu um pouco radical, pois acredito que pessoas e organizações deveriam poder compartilhar seu ponto de vista, desde que sigam certas regras. Twitter, no entanto, continua permitindo campanhas sobre temas sociais (issue campaigns), limitando somente o microtargeting (direcionamento de uma campanha através dos dados pessoais, como partido ou preferência política, CEP, idade, gênero, etc.). 

O Google seguiu caminho similar, limitando o microtargeting de propagandas políticas, mas ao contrário do Facebook, se dispõe a tirar do ar a propaganda política com alegações comprovadamente falsas. Mas como não existem soluções que a todos agradam, a decisão do Google de limitar o microtargeting de propagandas políticas foi amplamente criticada por grupos liberais (no sentido americano da palavra) e Democratas que dependem da ferramenta para engajar seu eleitorado e arrecadar fundos. 2019 foi o ano dos ajustes. 2020 será o teste.

Para quem quiser se aprofundar, tanto o Facebook quanto o Google possuem bancos de dados online que mostram quem pagou pela propaganda ou campanha, quanto pagou e onde foi ao ar. 

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Facebook has just announced that fake political ads are game. In the name of freedom of  expression, Facebook decided to exempt itself from the responsibility of identifying whether a political ad or social issue campaign (gun control, global warming, ..) is or not lying, dropping the hot potato on the citizen’s lap. That is, Facebook will not send political ads to be verified by its independent fact-checkers. Addressing the topic in a recent speech at Georgetown University, Mark Zuckerberg, Facebook’s CEO, said: “I’m here today because I believe we must continue to stand for free expression.”

So, it’s your responsibility to decide whether a politician’s ad is lying to you or not. Relax, because you know when someone is lying to you, right? Wrong! From time to time a lie may even be obvious (see meme below that Pres. Trump retweeted), but it has been proven that we are not an infallible lie detecting machine, quite the opposite. In his new book, Talking to Strangers, Malcolm Gladwell tells that even CIA professionals responsible for identifying spies among their own have been fooled by silly lies. Basically, we are prone to believe in others until irrefutable proof to the contrary, what Gladwell calls truth default (a term created by psychologist Tim Levine). Add to this our tendency to conform, to avoid dissonant news and to seek affirmation of our beliefs and that’s it: an easy target for those interested in spreading disinformation.

Even so, Facebook opted for non-interference, arguing that in this case it will not be the referee, but that it would be more than open to follow regulations imposed by the government (see speech by Nick Clegg, VP for Global Affairs and Communication). The problem with this positioning is twofold: it catapults the problem into the future, leaving room for misinformation in the next elections — in the US and abroad — and addresses the issue exclusively through legal lenses, exempting itself from its social responsibility. When political and public policy debates take place in an open and unrestricted environment, such as social media, with the potential to influence presidential elections and issues such as Brexit (which I discuss in more detail in my book), the integrity of the information is absolutely critical.

If, on the one hand, Facebook had a laissez faire attitude, on the other, Twitter’s decision to completely ban political advertising seemed a bit radical, as I believe that people and organizations should be able to share their point of view, as long as they follow certain principles. Twitter, nevertheless, continues to allow campaigns on social issues (issue campaigns), limiting only microtargeting (targeting a campaign based on personal data, such as party or political preference, zip code, age, gender, etc.).

Google followed a similar path, limiting microtargeting of political ads, but unlike Facebook, it is willing to take down political advertising with allegedly false claims. But as there are no solutions that appeal to everyone, Google’s decision to limit  microtargeting of political advertisements has been widely criticized by liberal (in the American sense of the word) and Democratic groups who depend on the tool to engage their constituencies and raise funds. 2019 was the year of adjustments. 2020 will be the test.

For those who want to go deeper, both Facebook and Google have online databases that show who paid for the advertisement or campaign, how much they paid, and where it aired.

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