O que os olhos não vêem …

… deixa de fazer parte da nossa realidade (como a parte fora de foco na foto acima). 

Quanto a “o que os olhos não vêem, o coração não sente”, este foi assunto do meu post anterior, abaixo.

Antes de seguir lendo, por favor assista a este vídeo. Assim o resto do artigo fará mais sentido. O vídeo faz referência ao massacre de 2012 na escola primária de Sandy Hook em Connecticut, nos EUA, onde 20 crianças de 5 a 6 anos foram mortas a tiros, e tem como objetivo conscientizar jovens sobre sinais que podem indicar que um colega esteja planejando um ataque. O video é brilhante. Já foram mais de 12 milhões de visualizações. 

Além de um storytelling excelente que nos cativa durante 2:28 minutos, o vídeo utiliza um recurso que vêm do mundo acadêmico chamado de atenção seletiva ou cegueira não intencional. É quando não registramos uma imagem ou evento no nosso campo visual por estarmos focados noutra coisa qualquer. Um dos experimentos psicológicos mais famosos sobre atenção seletiva — de autoria de Daniel Simons e Christopher Chabris — é “o gorila invisível”. Caso não tenha visto, clique aqui e veja se consegue acertar o número de passes. Caso você já tenha visto, assista a este segundo vídeo, também de autoria de Simmons. 

Eu já tinha assistido ao primeiro, então assisti ao segundo. E não deu outra. Vi o gorila, acertei o número de passes mas não percebi duas novas ocorrências. Ao longo do vídeo muda a cor da cortina e uma das jogadoras de camiseta preta sai do palco. Para mim e todos aqueles que não viram o gorila da primeira vez e/ou as novas mudanças no segundo vídeo, a realidade foi uma; para os restantes, a realidade foi outra. E estávamos todos atentamente assistindo ao mesmo vídeo. Isto é, uma imagem e duas “realidades”.

Simmons acredita que perdemos muito do que acontece ao nosso redor e que não fazemos a mínima idéia de que isto esteja acontecendo. As implicações para as relações governamentais e o public affairs são várias. Por exemplo, ao alocar foco excessivo numa crise ou série de prioridades do dia a dia, podemos perder sinais importantes de que um outro tema esteja emergindo. Podemos também criar uma realidade somente nossa que nos impede de ver o todo, reduzindo a probabilidade de notarmos o inesperado. Por último, uma leitura limitada da realidade que nos cerca pode levar a mensagens ou talking points que não conectem com o decisor ou stakeholder. É quando queremos comunicar a nossa realidade em vez de tentar entender a realidade dos outros.

Atenção seletiva é somente um exemplo de como a nossa mente opera para dar sentido ao mundo que nos cerca. Para não ser pego de surpresa por acontecimentos aleatórios, seja curioso, busque visões divergentes e evite conclusões precipitadas baseadas em experiências passadas. 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX ENGLISH TRANSLATION XXXXXXXXXXXXXXXXXX

What the eye doesn’t see …

… isn’t part of our reality (as is the out-of-focus portion of the above photo).

As for “what the eye doesn’t see, the heart doesn’t feel”, I covered that in my previous blog entry, below.

Before reading any further, please watch this video, so the rest of the article makes more sense. The video references the 2012 massacre at Sandy Hook Elementary School in Connecticut, where 20 children aged 5 to 6 were shot to death. It’s goal is to raise awareness among young people about signs that may indicate that a classmate is planning an attack. The video has been watched over 12 million times.

In addition to great storytelling, the video borrows a concept from academia called selective attention or unintentional blindness. It occurs when we fail to register an image or event in our visual field because we are focused on something else. One of the most famous psychological experiments on selective attention – designed by Daniel Simons and Christopher Chabris – is “the invisible gorilla”. If you haven’t yet seen the video, click here, and see if you can get the number of passes right. In case you have already seen it, here is a second video, also created by Simmons.

I had already seen the first video, so I watched the second one. I saw the gorilla, I got the number of passes right, but I didn’t notice two new occurrences. Throughout the video the color of the curtain changes and one of the black t-shirt players leaves the stage. For me and all those who didn’t see the gorilla the first time around and/or the new changes in the second video, the reality was one; for all others, the reality was another one. We were all attentively watching the same video, but the same images resulted in two very different “realities”.

Simmons believes that we miss much of what happens around us and even worse, that we have no idea that this is happening. The implications can be huge. For example, by excessively focusing on a crisis or a series of everyday priorities, we can easily miss important signs that a new issue is emerging. We can also create a biased reality that prevents us from seeing the whole, reducing the likelihood of noticing the unexpected. Finally, a narrow interpretation of the world surrounding us can lead to messages or talking points that do not connect with the decision maker or stakeholder. We  communicate our reality instead of trying to understand the reality of others.

Selective attention is just one example of how our mind works to make sense of the world around us. In order not to be caught off guard by random events, be curious, look for divergent views, and avoid hasty conclusions based on past experiences.

 

Um comentário em “O que os olhos não vêem …

  1. Obrigado, Renard
    Nada é mais pertinente e atual.
    Olhamos o que acontece no Mundo hoje, mas não estamos enxergando o que realmente está sendo escondido do cidadão comum.

    Precisamos refletir mais. O tema abordado, nos ajuda a abrir os olhos.
    Abraços
    Rainer

    Curtido por 1 pessoa

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